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  Confira mais um capítulo da História de Portugal

Por: Nelson de Paula.

"CASTELO DE ALCOUTIM" - 22/02/2026

Falemos das Características do Castelo: É um Exemplar de arquitetura militar, de estilo moçárabe, de enquadramento rural. O conjunto compõe-se de dois recintos fortificados, ambos de planta retangular, em pedra de xisto irregular solta, argamassada com terra, característica da arquitetura Omíada.

O interior, em cota mais elevada, corresponde à alcáçova. Apresenta planta retangular irregular com cerca de 32 metros de comprimento por 22 metros de largura, com os muros com cerca de 2 metros de espessura, reforçados por diversas torres de planta quadrangular e retangular, nenhuma delas posicionada nos ângulos. Os muros apresentam, na face externa, buracos destinados ao escoamento de águas pluviais ou esgotos.

No seu interior encontram-se restos de paredes de vários edifícios: os da 1.ª fase, afastados das muralhas, e os da 2.ª fase, adossados à muralha e cortando completamente os anteriores. Do período califal existem ainda vestígios de um edifício retangular central, cujas paredes se encostam a muros anteriores. O tipo de aparelho aponta para uma tipologia tipicamente omíada, com certas influências sírio-palestinianas e bizantinas.

A muralha norte é rasgada por uma estreita porta e o troço voltado sobre o rio Guadiana terá sido reforçado durante o século XI, mesma época em que terá sido construído o torreão, com 5,3 metros de comprimento por 3,8 metros de largura, destinado a reforçar a defesa da porta principal, rasgada a leste. Aqui se encontra também a cisterna, com cerca de 5,60 metros de comprimento por 2,50 metros de largura, e paredes com espessura de 0,90-0,70 metros.

O exterior, delimitado pela cerca que defende o povoado, na encosta. Identificada pela análise dos taludes e pela observação dos tramos visíveis à superfície do solo, apresenta planta retangular e os seus muros são reforçados por torres adossadas. Na cerca abre-se uma porta em cotovelo, que se comunicava com o setor residencial extramuros que se estendia até à margem do Guadiana.

Um Personagem relacionado ao Castelo foi Duarte de Armas que foi um escudeiro da Casa Real e "debuxador" (desenhista) português. Era filho de Rui Lopes de Veiros, escudeiro da Casa Real, bacharel em Direito Canónico e notário apostólico, que exerceu as funções de escrivão da Livraria Régia e da Torre do Tombo.

Hábil no desenho, foi encarregado por Manuel I de Portugal de levantar o estado das fortificações da fronteira com o reino de Castela, o que fez em planta e em panorâmicas, com as respectivas medidas, sinais cartográficos e notas explicativas, de Castro Marim, no sul, a Caminha, no norte.

Além do manuscrito do chamado "Livro das Fortalezas", conhecemos apenas a referência a mais dois trabalhos deste profissional, também a mando de D. Manuel I:

- O levantamento das barras das praças de Azamor, Mamora, Salé e Larache, na costa de Marrocos, como integrante da Armada de D. João de Meneses em 1507 e

- O debuxo de uma antiquíssima estátua equestre existente na ilha do Corvo. Acredita-se que em 1516 ainda vivia e trabalhava, em Lisboa, onde terá morrido em data ignorada.