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  Confira mais um capítulo da História de Portugal

Por: Nelson de Paula.

"CASTELO DE ALJUSTREL" - 08/02/2026

O conjunto do Castelo e Igreja de Nossa Senhora do Castelo foi classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 26-A de 1 de junho de 1992. Entre 1989 e 1998, o sítio foi alvo de várias sondagens e escavações arqueológicas, ao abrigo do programa de Estudo e Valorização do Castelo de Aljustrel.

Os trabalhos iniciaram-se com uma sondagem em 1989, quando foi feita a limpeza da zona envolvente, para tentar encontrar antigas muralhas do castelo, tendo sido descobertos vestígios dos períodos calcolíticos, tanto islâmico como cristão, com uma interrupção durante a Idade do Ferro e a época romana.

Em 1992 foram feitas escavações de emergência, devido ao começo das obras para o arranjo paisagístico da colina de Nossa Senhora do Castelo, tendo-se determinado a ocupação do sítio até o Século XV. Os estudos continuaram tendo sido recolhidos vários vestígios islâmicos.

Em 1994 foi alargada a zona de escavação, como forma de compreender melhor tanto as estruturas como a ocupação do castelo, levando à descoberta de várias estruturas residenciais, que originalmente tinham paredes de taipa. Os trabalhos continuaram em 1995 e depois tiveram um hiato até 1998, quando foram confirmadas a estratigrafia investigada nos anos anteriores, com uma camada de cerâmicas pré-históricas.

Também nesse ano o castelo foi alvo de uma intervenção de relocalização, identificação e inspeção de sítios, pela divisão de Castro Verde do Instituto Português de arqueologia, onde se classificou o estado de conservação da estação arqueológica como regular.

As escavações foram retomadas entre 2007 e 2010, no âmbito do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos, tendo começado com uma tentativa de estudo das várias estratigrafias de ocupação, e a sua relação com a indústria mineira de Aljustrel. Em 2008 ampliou-se a área a ser estudada, de forma a tentar perceber a organização dos espaços interiores, tendo sido identificadas várias divisões, incluindo uma possível cozinha, várias ruas e um canal para esgoto.

Em 2009 continuou-se a estudar a organização das estruturas internas do castelo, tendo sido identificada parte de muralha de taipa a Norte, sobre um nível calcolítico. As investigações permitiram dividir a construção do castelo em três fases distintas, duas destas relativas ao período almóada e a última já nos finais da época medieval, após a reconquista, embora esta conclusão não seja seguramente confirmada pelos materiais encontrados.

A principal estrutura do período medieval cristão terá sido a torre de menagem, que provavelmente serviria de residência e como espaço áulico aos frades da Ordem de Santiago, já durante a fase final do castelo, quando este estaria já a passar por um processo de ruína. As escavações no interior do castelo continuaram em 2010, tendo sido encontrado mais uma camada do nível calcolítico.