Por: Nelson de Paula.
"CASTELO DE SÃO FILIPE" - 11/01/2026
Dando continuidade à sua descrição, a oeste rasga-se a porta fortificada, entre dois baluartes, dando acesso a um átrio e deste a uma larga rampa com degraus em dois lances, coberta por abóbada, (com patamar intermédio com entrada para as casamatas) que conduz às plataformas superiores, onde estão implantados os edifícios da fortaleza.
As antigas casamatas e alojamento do governador, estão hoje adaptadas a pousada, viradas para o mar. À esquerda, implanta-se a pequena capela de São Filipe, de planta retangular, coberta por abóbada a berço, com portal com frontão de volutas e torre sineira, entre pilastras.
O seu interior é completamente revestido por azulejos nas cores azul e branca, onde se destacam painéis com cenas da vida daquele santo católico, assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes (1736). A bateria baixa, estrutura datada do século XVII, constitui-se num baluarte com o formato trapezoidal que se estende em direção ao mar.
O forte foi danificado durante o terremoto de 1755 e a Casa de Comando, então residência do Governador de Setúbal, foi destruída por um incêndio em meados do século XIX. Foi classificado como Monumento Nacional em 1933 e incluído no Parque Natural da Arrábida, aquando da sua criação em 1976.
Foram realizadas obras de conservação na década de 1940 e, em 1962, algumas partes foram convertidas num hotel, que abriu em 1965, integrando a cadeia Pousadas de Portugal. Sofreu alguns danos devido a um terremoto em fevereiro de 1969. Desde então, foram realizadas reparações e outras obras de conservação, mas o hotel fechou em 2014 devido a problemas de instabilidade estrutural.
O forte foi reaberto ao público a 31 de março de 2017, sob a gestão da Câmara Municipal, com um centro de informações e um restaurante. Diz-se que o Forte de São Filipe de Setúbal foi inspirado no Castelo de Santo Elmo de Nápoles.